(Por Laura Gonçalves Sucena)

É só falar em tocar um instrumento musical que os olhos de Nicole se enchem de brilho. A estudante, de 16 anos, é uma das participantes do projeto Allegro – Música e Cidadania. Realizada pelo CPTI, a iniciativa tem como objetivo principal o desenvolvimento das habilidades e potencialidades musicais em 300 crianças e adolescentes, de 6 a 18 anos, em situação de vulnerabilidade social.

Nas atividades de formação musical, elas participam de oficinas de musicalização, cultura popular, percussão, coral, flauta, violão, violino, teclado, banda e expressão corporal e podem escolher dentre as modalidades as que mais lhes interessam. A intenção é proporcionar integração e convívio.

Para o educador social e maestro do Allegro, Ricardo Neves Soares, as oficinas são de vivência. “Não funcionamos com uma escola de música. Os meninos escolhem o que querem fazer independentemente de apresentarem ou não algum dom. Todos têm capacidade de aprender, basta participar da oficina. Aqui não existe a frase ‘não consigo’ porque todos são capazes”, observou.

Segundo Ricardo, as oficinas vão muito além de aprender a dominar um instrumento. “A música estimula atividades cerebrais, auxilia na concentração e raciocínio e isso acaba refletindo na vida escolar desses meninos. Além disso, gera autoestima pois os alunos percebem que evoluem e que são capazes”, falou.

Nas oficinas, o respeito também é trabalhado uma vez que a molecada aprende a escutar seus colegas e obedecer ao regente. “Estudar música é ter nas mãos uma ferramenta de integração porque os usuários têm um objetivo comum. Eles se ajudam para alcançar um resultado”, pontuou Ricardo.

Para a técnica de referência da Fundação FEAC, Aline Figueiredo, proporcionar a inclusão e o acesso à arte e à cultura, utilizando a música como estratégia, é permitir o reconhecimento de capacidades humanas, o desenvolvimento do potencial coletivo e pessoal e o fortalecimento de vínculos familiares e sociais. “Acreditamos que esse projeto qualifica a oferta do serviço com elementos da cultura local, que torna a oficina mais integrativa”, acrescentou.

Para muito além da música

O projeto do CPTI, que conta com o apoio institucional do Programa Fortalecimento de Vínculos da Fundação FEAC, também tem como foco a família. “Com certeza, o fortalecimento de vínculos familiares é nosso objetivo. E a música muitas vezes é um elo de união entre todos porque os pais adoram assistir seus filhos, ver que eles estão progredindo. E as crianças querem mostrar para seus pais o que estão aprendendo”, comentou o educador.

De acordo com a gerente de Mobilização de Recursos e Comunicação do CPTI, Fabíola Cavalcanti, a instituição está sempre atenta à participação da família. “O projeto visa o fortalecimento de vínculos entre pais e filhos e também com a comunidade. Mesmo nas apresentações que realizamos, pensamos primeiro no nosso território porque queremos nos fortalecer aqui onde atuamos”, explicou.

Nicole Peralta é apaixonada pelo violino e pelo coral. “Comecei há 5 anos no Allegro e gosto muito.  No começo era muito tímida e aos poucos fui me soltando porque a música me dá segurança. Gosto muito de me apresentar e temos muitas oportunidades de conhecer espaços diferentes, teatros, empresas. E também tem a família que vai nos prestigiar, como aconteceu na apresentação da FEAC no Teatro Iguatemi. Aquilo foi um sonho para mim”, falou a estudante.

E entre uma oficina e outra, o projeto acaba descobrindo talentos. “Não é nossa intenção formar músicos, mas às vezes um educando se destaca e quando isso acontece temos que incentivar”, esclareceu Ricardo.

Na turma avançada de música do projeto, o estudante Pedro Henrique Souza dos Santos, de 14 anos, se destacou e conseguiu uma bolsa de estudos no Centro Suzuki/Campinas. O menino, que se espelhou no irmão mais velho que também participa do Allegro, já conseguiu ser Spalla (o nome dado ao 1° Violino da orquestra).

“Estudo mais de uma hora por dia e isso é o mínimo que posso fazer porque ganhei uma bolsa de estudos. Minha habilidade está evoluindo e tenho chance de ser ainda melhor. A música está abrindo portas para mim, mas o que eu realmente quero fazer é engenharia. Quero ser engenheiro e músico, se possível”, explicou.

Nos palcos

No ano passado, ao completar 25 anos, o CPTI promoveu por meio do Allegro o musical “Criança de todas as cores”. O espetáculo, que integrou música, dança e teatro, deu tão certo que culminou na gravação de um DVD.

“O projeto já é desenvolvido com a lei de incentivo fiscal Proac ICMS e tem patrocínio de empresas. Temos como meta para 2018 realizar oito apresentações em espaços públicos, fazer pequenos recitais e também disponibilizar bolsas de incentivo para três integrantes do Allegro em escolas de formação específicas”, afirmou Fabíola.

Com todos os planos para este ano, alguns projetos da instituição estão se integrando, como é o caso do Allegro com o Dança e Cidadania. A ideia é realizar pequenas apresentações, integrando expressão corporal, balé e música.

“Estamos crescendo e atendendo diversas crianças porque acreditamos que nossos projetos fazem a diferença na vida dos nossos usuários. Para isso, precisamos de mais parceiros e também de doações de instrumentos musicais. Nossa ideia é garantir o aprendizado e a convivência dessas crianças e adolescentes”, resumiu a gerente.

Programa Fortalecimento de Vínculos

O Programa Fortalecimento de Vínculos é uma iniciativa da Fundação FEAC que investe na qualificação de ações integradas de cultura, esporte e cidadania com o objetivo de prevenir o agravamento da vulnerabilidade social e reforçar os vínculos familiares e sociais protetivos.

Saiba mais: http://www.cpti.org.br/pdic/?portfolio=allegro-musica-e-cidadania