Você não precisa esperar pelas eleições para se envolver nos rumos da administração do seu município. Se quiser se aproximar e saber mais sobre como funcionam – ou porque não funcionam! – as políticas públicas que afetam diretamente o seu dia a dia, um caminho é participar dos conselhos municipais de sua cidade.

Compostos por representantes do poder público e da sociedade civil, os conselhos têm reuniões abertas a todo cidadão.  Para ter direito a voto é preciso integrar o conselho ou ter ali alguém que o represente.

Essa proximidade permite aos cidadãos e representantes de OSC participarem da criação, gestão e controle social de políticas públicas em diferentes áreas, como meio ambiente, igualdade racial, direito do idoso, juventudes, educação, trabalho infantil, infância.

Participar é uma forma de vivenciar na prática o direito constitucional à cidadania. Qualquer cidadão ou grupo da sociedade civil tem condição de propor e articular a criação de um conselho por iniciativa popular. A proposição passa pela validação dos vereadores e prefeitos e, se aprovada, é regulamentada pelos seus representantes.

Ações sintonizadas às necessidades da população

Os conselhos municipais estão ligados a diferentes secretarias: estão presentes na Assistência, Saúde, Educação, Cultura, Direitos Humanos, Trabalho. E muitos conselhos abordam temáticas transversais, ou seja, dialogam simultaneamente com diferentes secretarias.

conselho capacita campinas

As sessões dos conselhos municipais são abertas ao público

Em outubro ocorreu em Campinas as eleições para o Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS). Nesse caso, 18 conselheiros titulares e 18 suplentes foram eleitos para o mandato de 2024-2026.

Metade dos conselheiros representa o poder público. A outra metade, a sociedade civil (entidades, organizações, usuários e trabalhadores dos serviços da Assistência Social). 

Vandecleya Moro, secretária municipal de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos de Campinas, destaca a estrutura inclusiva e representativa dos conselhos. “Eles atuam como um órgão importante para garantir a efetivação de políticas públicas transparentes, democráticas e sintonizadas com as necessidades da população”.

Para a secretária, a gestão da assistência social em qualquer município é uma tarefa complexa e multidimensional e tem muito a ganhar com o engajamento da comunidade e a estrutura inclusiva e representativa do CMAS. “Expressam o compromisso de Campinas com uma assistência social justa e eficaz, em consonância com o SUAS (Sistema Único de Assistência Social)”.

Ciente disso e representando a sociedade civil e os interesses das populações mais vulneráveis, a Fundação FEAC une forças aos conselhos nas iniciativas voltadas aos seus públicos preferenciais. Para qualificar e fortalecer políticas, a instituição tem representantes nos conselhos municipais que atuam em temáticas das juventudes, primeira infância, educação, entre outras.

“Os conselhos municipais são espaços potentes para a participação social e uma ferramenta importante para atuação nos mais diversos âmbitos da vida pública. Quanto mais as organizações e as pessoas comprometidas com a defesa de direitos se apropriarem destes espaços, maiores os ganhos para a população e para a democracia”, diz Tatiane Zamai, da Coordenação Executiva de Programas, da Fundação FEAC.

FEAC une forças aos conselhos para qualificar políticas

Recentemente, a FEAC apoiou o CMDCA (Conselho Municipal da Criança e do Adolescente) para divulgar e incentivar a participação da sociedade nas eleições para conselheiros tutelares do município que ocorrem de quatro em quatro anos.

“Costumo dizer que política pública se faz com parceria. O apoio da Fundação FEAC é um exemplo que inspira e traduz essa ideia”, afirmou Vandecleya Moro. Além disso, para estreitar ainda mais essa parceria, o superintendente socioeducativo da FEAC, Jair Resende, é candidato a conselheiro do CMDCA. A eleição ocorre ainda esse mês.

A FEAC também vem trabalhando em uma iniciativa que viabiliza a implementação da Lei da Escuta Protegida, em Campinas. Uma das iniciativas é o projeto Município Livre de Violências contra crianças e adolescentes, realizado pela FEAC em parceria com a organização Childhood Brasil. O projeto investiu em assessoria aos profissionais do CMDCA para criação do Comitê de Gestão Colegiado da Rede de Cuidado e de Proteção Social de Crianças e Adolescentes Vítimas ou Testemunhas de Violência de Campinas.

“É preciso investir massivamente em processo formativos e no trabalho de conscientização dos profissionais e de toda a comunidade quanto à importância da notificação e visibilidade dos dados de abuso, violência e exploração sexual de crianças e adolescentes”, defende Maria Angélica Bossolane Batista, presidente do CMDCA de Campinas.

O apoio logístico, financeiro e a expertise dos profissionais e organizações envolvidas impulsionaram esse trabalho. O processo formativo foi uma das etapas do projeto, visando qualificar o atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. A oferta do curso de formação Crescer Sem Violência, no ano passado, contou com a participação de 101 profissionais da Rede de Proteção Municipal de Campinas. São iniciativas que demonstram como os conselhos podem auxiliar a gestão pública agregando expertise e qualificando políticas públicas que respondam a demandas urgentes da população.