Cerca de 300 pessoas por mês são atendidas na Associação de Pais e Amigos de Surdos de Campinas (APASCAMP) para realizar o exame de audiometria, teste que determina o nível de audição. Para atender a demanda, a instituição inaugurou três novas cabines de audiometria que passam a permitir o aumento de 30% no atendimento e ainda a qualificação do serviço.

Com investimento de R$ 342 mil por 3 anos, as novas cabines contam com projeto estrutural acessível a cadeirantes, crianças e idosos, além de melhores condições acústicas, ergonômicas e de conforto térmico. Tudo isso foi possível por meio da parceria entre a instituição e a Fundação FEAC, por meio do programa Mobilização para Autonomia (MOB).

Silvia dos Santos Simões, coordenadora técnica da APASCAMP, conta que as duas cabines existentes não estavam adequadas e agora a qualidade no atendimento melhorou muito. “Desabilitamos as duas cabines existentes, então nosso ganho efetivo foi de uma cabine. De qualquer maneira, vamos aumentar nossos atendimentos e teremos, inclusive, que contratar mais um profissional”, relatou.

Segundo Regiane Fayan, líder do Programa MOB, o projeto das cabines faz parte do investimento da Fundação FEAC à rede de atendimento para as pessoas com deficiência do município. “Em 2018, a APASCAMP apresentou o projeto e, a princípio, vimos como uma boa oportunidade para qualificar ainda mais o serviço prestado à população e potencializar as ações da OSC (Organização da Sociedade Civil). Além do fato dos exames audiométricos serem essenciais para a detecção da deficiência auditiva. Uma vez diagnosticado, a pessoa passa a ter acesso a serviço e direitos, melhorando sua qualidade de vida”, falou.   

Audiometria

O exame de audiometria testa a capacidade de ouvir os sons e o nível de audição de uma pessoa. Por meio do audiômetro, o teste mede a capacidade de identificação de diferentes intensidades sonoras, por exemplo, como distinguir a fala de um ruído.

O exame fornece uma medida mais precisa da audição. Para testá-la, usa-se fones de ouvido ligados ao audiômetro. Os sons puros, de intensidade controlada, são passados a uma orelha de cada vez e a pessoa examinada deve levantar a mão, apertar um botão, ou indicar quando ouvir um som.

Segundo Sílvia, a audiometria é um dos exames da bateria de avaliação auditiva. “Toda a avaliação é baseada no que o paciente está sentindo. Temos um protocolo de avaliação e queremos entender qual o mínimo de estímulo que a pessoa precisa para entender um som. Há vários graus de perda de audição e o exame mostra até onde a pessoa tem habilidade de escutar, mesmo que seja bem baixo, como um sussurro”, explicou Sílvia.

O exame é realizado por um fonoaudiólogo que consegue diagnosticar qualquer anormalidade, medir a intensidade e verificar qual o tipo de perda auditiva que pode ter afetado o paciente.

A auxiliar de limpeza Severina Maria da Silva, aprovou o exame. “Vim encaminhada do Centro de Saúde que fica perto da minha casa porque estou sentindo um zumbido, tonturas e dificuldade para ouvir. Ainda bem que temos onde fazer o exame porque se não fosse o serviço oferecido pela APASCAMP, poderia demorar. E aqui os profissionais são muito atenciosos”, contou.

Hora do exame

Sílvia explica que a audiometria é um exame auditivo e recomendado para diagnósticos. “As pessoas devem levar a sério a audição e esse é um daqueles exames que se recomenda fazer anualmente. Muitos casos de desatenção de crianças na sala de aula eram relacionados com hiperatividade, mas hoje já se sabe que também é preciso verificar a audição. Se a criança não escuta, ela não se interessa”, contou.

Para Silvia, o correto seria a criança sair da educação infantil e fazer um exame audiológico. “É muito comum os pais levarem a crianças para fazer o exame oftalmológico e algumas escolas até recebem profissionais que fazem essa avaliação da visão, mas não se pode esquecer da audição. E a APASCAMP está aberta para realizar esses exames”, pontuou.

Os números de caso de perda de audição estão aumentando e muitas vezes são relacionados com o uso excessivo de fones de ouvidos, pessoas que ficam expostas frequentemente a lugares com som alto e, até mesmo, a não utilização dos equipamentos de proteção individual. Várias doenças, como caxumba, rubéola e meningite também podem causar a perda da audição.

“Normalmente as pessoas acham que ou se escuta ou é surdo, e não é bem assim. Existem graus de perda auditiva, como a visão. Existe a perda leve ou uma perda em frequência aguda, por exemplo. E pode-se usar o aparelho auditivo e ter uma vida normal. Mas para isso a pessoa deve procurar um otorrinolaringologista ao menor sinal de perda de audição”, frisou a coordenadora.

A Apascamp, que surgiu da idealização dos pais, amigos de deficientes auditivo e profissionais da área que sentiram a necessidade de contribuir para a aquisição da linguagem e comunicação de seus filhos, atende atualmente 83 crianças com uma equipe formada por fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes social e pedagogos. Além disso, realiza exames auditivos em pacientes encaminhadas por serviços de saúde do município e até mesmo a pessoas que chegam na instituição desejando fazer exames.

Graus de audição em decibéis para adultos

tabela 

Sobre o Programa MOB

O Programa Mobilização para Autonomia (MOB) é uma iniciativa da Fundação FEAC que investe em soluções com o objetivo de assegurar a inclusão efetiva das pessoas com deficiência. Se dedica a romper barreiras para que as pessoas com deficiência possam participar da sociedade e exercer plenamente seus direitos

Mais informações: https://www.apascamp.com/ e https://www.feac.org.br/mobilizacaoparaautonomia/