Uma história inspiradora sobre a luta de uma juíza da Suprema Corte dos EUA pela equidade de gêneros na sociedade foi a escolha para inaugurar o projeto CinamAQUI, do programa Fortalecimento de Vínculos, da Fundação FEAC. O documentário A Juíza, exibido no Cinemark Iguatemi no último dia 23 de maio, reuniu profissionais de diversas Organizações da Sociedade Civil (OSC) que tiveram a oportunidade de assistir e debater sobre o longa-metragem.

A sessão gratuita, oferecida por meio de uma parceria entre a Fundação FEAC e a Flow distribuidora, teve como estratégia a mobilização dos espectadores sobre a igualdade de gênero, Objetivo do Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS 5). RBG, como ficou conhecida a Juíza Ruth Bader Ginsburg, é o título original do documentário que concorreu a dois Oscars (premiação cinematográfica) em 2019 e foi o mais visto em 2018 nos EUA.

Para a líder do Programa Fortalecimento de Vínculos da Fundação Feac, Sílnia Prado, o documentário traz um tema relevante e com oportunidades para discussão. “Acreditamos no potencial que os filmes têm para tocar e sensibilizar as pessoas, pois boas histórias inspiram, incomodam e emocionam, abrindo espaço para o diálogo. Este filme, em especial, mostra que a desigualdade de gênero deve ser uma luta de cada um de nós, porque nos fragiliza e nos empobrece como sociedade”, pontuou.

O documentário já está liberado na plataforma online e gratuita Videocamp, possibilitando que produções de cinema que buscam impacto e transformação alcancem o maior número possível de pessoas. Clique aqui.  

A Juíza

Ruth Bader Ginsburg, uma das nove mulheres estudantes de Direito em Harvard em sua época. Diplomada em Direito na Universidade de Cornell e doutoranda na Escola de Direito da Universidade de Columbia, RGB lecionou entre 1963 e 1980.

Em 1971, teve papel decisivo no lançamento do Projeto sobre Direitos das Mulheres pela American Civil Liberties Union (ACLU, ou Associação Americana pelas Liberdades Civis). Mais tarde, foi nomeada juíza para o tribunal de recursos para o Distrito de Columbia e indicada como juíza da Suprema Corte pelo presidente Bill Clinton. 

Como segunda mulher a ocupar este cargo na Suprema Corte Americana, tornou-se um ícone da cultura pop americana por suas críticas contundentes às leis federais e estaduais que limitavam a atuação de mulheres na sociedade com base no gênero, sob o pretexto de protegê-las.

Debatendo e refletindo

O debate que ocorreu após a exibição do documentário contou com a participação de Ana Claudia Benatti Catozzi, advogada e conciliadora judicial com atuação no Tribunal de Justiça de São Paulo; Letícia Bahia, co-fundadora da Revista AzMina e Mafoane Odara, coordenadora da área de Enfrentamento às Violências contra as Mulheres e Meninas do Instituto Avon. Também teve a mediação de Daniela Cais Chieppe, comunicadora e fundadora da Prosa&Co. 

Para Letícia, o filme traz uma mensagem muito valiosa. “Ruth nos faz um convite a pensar em estratégias que pensamos pouco quando falamos do campo progressista, que é uma reflexão por dentro do sistema, que corre em paralelo a ir às ruas. Todos podemos fazer mais e ir além sem gritar ou brigar”, comentou.

Mais do que a mensagem de igualdade de gênero, o documentário propõe momentos de reflexão. Para Mafoane, a juíza mostra que podemos contribuir com o mundo agindo de acordo com o que acreditamos. “RBG contribuiu por meio da palavra e do poder de argumentação, teve equilíbrio em suas ações e na sua vida e dessa forma mostrou que a desigualdade não é boa para ninguém. Trazer o homem para a discussão das desigualdades é rever modelos instaurados e perceber que dessa forma, todos perdemos num modelo desigual”, enfatizou.

“Ruth mostra a força da mulher e a necessidade de lutar muito para conseguirmos fazer a transformação necessária. Ela é um exemplo a ser seguido, principalmente por ser uma pessoa inclusiva”, completou a advogada Ana Claudia.

Na plateia, a participação foi inspiradora. Para a especialista em comunicação Fernanda Mello, o filme traz reflexões sobre o que enfrentamos no dia a dia. “A primeira coisa é entender que o preconceito é global. São problemas e situações que acontecem aqui, na Europa, nos Estados Unidos, enfim, no mundo todo. As pessoas sofrem preconceito independente da realidade em que vivem. Não é porque não encaramos uma situação que ela não existe. Por isso, temos que lutar pelo direito de todos”, falou.

De acordo com a pedagoga Tânia de Paula, a discriminação está em todos os lugares. “Ver a história de uma mulher que lutou pelos outros é fascinante e traz muitos pontos de reflexão”, comentou. “Foi inspirador assistir ao documentário que traz a história de uma mulher de garra que lutou pelos nossos direitos. Sua luta não foi com armas e sim com o conhecimento, a educação e a doçura e eu acredito muito nisso”, completou a psicóloga Marta de Almeida.

Para a mediadora do debate, o filme traz assuntos que vão além da desigualdade de gênero. “Nosso bate-papo foi muito produtivo e pudemos falar de assuntos diversos, uma vez que o tema envolve várias questões, que vão desde a desigualdade até o fenômeno da juíza em virar um ícone da cultura pop por seu trabalho”, finalizou.

Este ano, o CinemAQUI conta com um cronograma de ações a serem realizadas em diversos pontos de Campinas/SP. Todas as sessões serão gratuitas. Fiquem atentos!

Sobre o Programa Fortalecimento de Vínculos

Iniciativa da Fundação FEAC que investe na qualificação de ações integradas de cultura, esportes e cidadania com o objetivo de prevenir o agravamento da vulnerabilidade social e reforçar os vínculos familiares e sociais protetivos.

https://www.feac.org.br/fortalecimentodevinculos/